sábado, 24 de abril de 2010

Juliana e Carlos (ou Você Não Gosta de Mim)

se foi pra
fazer de conta que
você me
chamou aqui,
pare agora


eu não
tenho vontade
de te contar sobre fantasias
nem sobre
a cama
nem sobra
o rádio
ligado


não sobra nada
nem pó
nem fumaça


se for
só pra fazer
de conta
eu apago a luz
e 
fecho 
a porta

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sávio

Apenas olhou o travesseiro ao lado
Meia cama vazia
Um copo de whisky pela metade
Pontas de cigarro sobre o criado-mudo

O telefone celular não tinha chamadas perdidas,
Nem mensagens de textos recentes
Apesar de ser isso que ele tanto esperava.

Não lembrava de como era chata essa espera
Na verdade, nunca passara por aquela agonia

Pareciam intermináveis horas
Minutos
Segundos
Parecia que a noite também não acabara 
E ele ainda estava lá!
Esperando

Como era ruim ter que passar por isso!
Como era angustiante esse momento!
Apenas olhava o celular,
Verificava mais uma vez que não havia nada
E baixava a cabeça.

Pensou em ligar
Discou os números que correspondiam ao de Jorge
E ninguém atendeu

Acendeu mais um cigarro
Foi até a janela
Ver a chuva tocar o vidro

Olhou a tempestade que caía
E discou mais uma vez
Ninguém atendeu.
Desistiu.

Talvez hoje não fosse um bom dia
Deitou novamente
Ouviu o trinco da porta girar
Jorge apareceu com o sorriso mais bonito do mundo
Pediu desculpas
E sentou na beira da cama

E passaram o resto do dia
Fazendo com que ele fosse bom.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Salto (ou TV Sem Som)

O tempo passa
Assim como as pernas andando do lado de fora
Tal e qual passam todas as oportunidades

E você não faz ideia
De como a história termina.
Está dentro de seu quarto
E não se importa em ver a vida passar

A música que toca no rádio
Ou a personagem na TV, sem som
O engraçado peixe solitário no aquário
Todos assistem a você no seu tempo

E você, que canta enquanto tenta dormir
Acredita que amanhã será um dia melhor
Acorda, espera, sonha, canta, dorme
E acredita que amanhã será um dia melhor

Mas não vê o tempo passar
Não enxerga que é preciso levantar
Que acreditar é apenas um passo

Mas amanhã tem de ser melhor
E continuar seguindo em frente
Parece ser o mais óbvio
Até ver o sol brilhando num céu de agosto
E desligar a TV, enquanto canta sorrisos
Pra deixar passar o tempo perdido
Se abrindo pra ganhar o amanhã

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Sorriso de Outro Homem (ou Carta)

Celebração
E ri

Cantando com as bordadeiras
E ri
E chorei

E depois do alvorecer,
Eu ri
Chorando os mortos de outrora

Morri cantando
Com as lágrimas
Caindo dos olhos
E molhando o papel de carta

Pra depois ouvir uma música
Alegre
No rádio de pilha na sala
E despedir a dor
Como se despedisse um velho amor

E fechou o caderno.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Da Noite Em Que Se Pensou No Fim De Tudo

- Eu gosto muito de você!

Silêncio.

- Você não vai dizer nada? Como você pode ser indiferente a esse sentimento?! Como pode ser indiferente a minha declaração!?

Silêncio... Uma lágrima escorre pelo rosto.
Entre soluços:

- E eu que achei que você era, no mínimo, receptivo. No mínimo, que gostava de se sentir amado. Que apreciava toda minha dedicação, que gostava dos meus bons tratos...

Interrompe com dois dedos nos lábios do falante.

- Eu te amo, seu bobo!

Beijo de fim de novela.

domingo, 7 de março de 2010

Do Quase Sobrevivente Para A Quase Boneca (ou Apenas)

Toda alma é triste. Só os atores conseguem fingir que são felizes. E as pessoas sem coração não podem sentir o quanto são tristes. Quebrou o vaso. Aceitou sua condição de morte do espírito antes da morte do corpo. Anda pelo mundo contando histórias felizes, tentando disfarçar-se e enganar os trouxas.

Pretérito Imperfeito

A gente sempre acredita que vai ser feliz pra sempre né? Mas eu percebo no olhar da moça ao lado que isso é mentira. A moça não é feliz. Eu fico triste por ela. Ela era cheia de sonhos. E sonhava com seu feliz pra sempre. Mas não foi assim que se deu. Agora ela deve se perguntar: "Onde foi que eu errei tanto?"... Essa culpa católica que nos vem à cabeça de que a infelicidade nossa é nossa culpa. Ela chorou há poucos. Não lembrava de como era ruim esse choro de infelicidade. E agora eu fico apertando minha mente. Quando mirei seu olhar, revivi uma cena de cerca de dezoito anos atrás. E eu não fiquei feliz com isso. Me dei conta que preferia que ela fosse feliz. Ela faz questão de esconder de todo mundo, mas não sorri nunca. Ela deixou que os problemas e tristeza e a falta de amor e o mundo inteiro e suas sujeiras melassem a ideia de mundo legal que existia em seus sonhos. Ela acbou por destruir o mundo mágico da menina. Seus rosto é cansado e triste. Ela não ama mais o mundo como gostaria e desistiu de viver pra ser feliz. Agora ela espera que sua vida acabe por conta de não gostar de viver. Parece que toda a sua vida está pronta. Deixou-se abandonar na infelicidade e prefere ser assim na vida. Está tão seca quanto o jardim la fora. E das flores que embelezavam sua vida restou apenas as folhas no chão e os espinhos nos galhos. Nem haverá mais primavera em seu coração. Aconteceu que decidiu ficar assim. Até o dia que não for mais possível ser infeliz.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Diário de Alberto Sanches Malta de Bragança e Toledo

Tentando, entre as lágrimas de ontem, resgatar no mais profundo de minha alma algum resto de auto-estima. Apenas encontro um pouco de terra e um pouco de sementes secas. Nada que se possa plantar e colher de bom. A vontade que me vem ao coração é arrancar de mim todo o sentimento. Mas como fazê-lo? Eu perdi minha força de vontade. Eu perdi meu interesse em mim. Nem mais consigo me olhar no espelho e reconhecer o garoto cheia de vida que via. Algumas coisas destruiram em mim o que demorei uma vida inteira pra construir, tão facilmente como se sopra uma vela de aniversário. A verdade é que depois desse diário, eu devo escrever uma carta de suicídio. Meus amigos irão saber. Minha família irá saber. Minha alminha atordoada dentro desse corpo, ainda inadaptada. Ela não sabe como sobreviver nesse mundo, nesse corpo, nessa carne. É uma alminha nova, só pode. Inocente em tudo, não sabe como é que se dão as coisas por aqui. Sofrimento demais pra ela, que é obrigada a abrigar este pedaço de carne ruim. Sempre sentindo muito por tudo e clamando aos céus misericórdia de Deus, pra que a permita sair daqui de dentro. Na verdade, posso ouvi-la chorar. É só fechar os olhos e tentar escutar dentro do meu coração. Os gemidos são de minha alminha, fora de contexto nesse mundo. Quem dera encarasse em um animal. Mas encarnou em homem, fraco, medroso, covarde, metido a justo. Encarnou na escória da raça dos homens. Era uma experiência frustrada e insignificante de vida. Estava louca, a alminha, pra não mais encarnar tão cedo. Esperava e desejava sair daquele corpo e quem sabe, um dia voltar a ser rato, pois que o rato da vida passada, curta, diga-se de passagem, fora um rato corajoso, ao menos. Eu despeço a minha alma. coloco-a pra dormir numa dessas noite de destrução, desvalorização e medo. Encontrei um velho caderno. Talvez meus velhos segredos possam ajudar a relaxar minha alma e fazê-la descansar ainda em mim. Pra amanhã tentar começar tudo de novo, viver o que for preciso, esquentar o coração ou deixar-se abandonar no precipício.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O Que Sobrou da História de Nós Dois


Parou para ouvir os pingos da chuva na janela
Olhava as gotinhas escorregando pelo vidro
Sentiu um frio repentino, parecia que inverno chegara

Olhou uma xícara sobre a mesa
Pontas de cigarro e cinzas dentro dela
Ainda um resto de café da noite anterior, talvez.

A cama desfeita
Travesseiros pelo chão
Uma embalagem de chocolates no colchão

Um par de meias sujas no banheiro
Um par de escovas de dentes
Um par de chinelos de borracha

Um sofá grande e vazio
Uma TV desligada,
Parecia que acordara no último dia de sua vida

Todos os pensamentos voltados
Para fora de sua janela
Lá, passavam pernas e saias e calças desbotadas

Catou umas fotografias velhas
Juntou todas num prato velho
Tomou o álcool e o fósforo e pôs fogo na pilha de retratos

Fechou a cortina
Fechou a porta
Fechou os olhos

A fumaça parecia fazê-la
Esquecer de tudo e cair em sono
Assim levou os dias que se seguiram

Contas de Ogum

Refeito em sopro
Como um algo que surge
Sou apenas virtude
Virtude disfarçada de imperfeição

Enquanto as voltas
Do colar de contas
Me parecem enforcar o pobre garoto
Me sufoco em um beijo interminável

Onde há língua e lábios e saliva
E mais um resto de sedução
Que com fé em Ogum, salvará a noite.

Há mais que desejo entre nós e eu posso sentir
Há um tanto de sentimento
E eu sei disso, por que assim disse minha mãe

Quando a chuva veio e levou de mim toda a lama
Eu descobri que não era apenas um sonho bom
E então? Onde estavam mesmo as pétalas de rosas?
No buquê da noiva, esperando um sentido de estar

As contas em azul-marinho me davam tranquilidade
E era assim que eu esperava a noite

Aquele rapaz de Ogum, os conselhos de minha mãe
E a sedução irremediável de seus olhos
Negros como sua pele
E sua fé
E suas armas.

Aprisionando-me em braços e abraços, amarrando
Suas contas nas minhas
Um tanto folclórico e lendário
Um tanto irremediavelmente deslumbrante
Ao juntar o que há em nós de melhor.
Minha virtude e sua virilidade.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vazio (ou Quinta-feira)

Mas é que agora não há telefonemas nem cartas
Não há taças, nem garrafa de vinho
Não há resto ou um prato sujo
Não há carinho ou cafuné

Neste momento há apenas um cigarro e uma câmera.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Carta de Despedida em Enterro de Mário [ou O Adeus de Luisa para Mário]

Ver em minha cara
Um pouco de sua marca
É como lembrar o nosso tempo
Juntos

Olhar a marca de lágrima
Escorrendo em meu rosto
Através do espelho
É lembrar o passado glorioso
Estando perto de você

E resgatar na memória
As suas faltas de compostura
Suas falhas memoráveis
Madrugadas intermináveis
Esperando você ligar

Ouvir em minha mente seu sussurro
E seu "vem pra mim"
E depois lembrar
O seu levantar e pôr-de-calças...

Quase uma piada de Deus,
Esse amor maluco

Se as surpresas não tivessem
Me mostrado como são fracas
As histórias de amor
Que livros mentem
Que  novelas são apenas
Novelas

Que na verdade,
Todo sentimento é um engodo na vida
Que apenas a carne era-nos importante

Estava eu, aqui, ainda
Falando bem do sentir-se apaixonada
Mas olhe bem pra mim
Sou eu, a mulher chorosa

Agora dizendo
Que o pouco pra você
É bem feito
Que a piada de Deus nos foi engraçada,
Mas eu ri muito mais, no final.

E apenas hoje posso comemorar
Pois definitivamente estás longe de mim.
Bem colocado, onde te cabe
Com amor, Luisa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Não Há

Não há corpo teu
Onde minha língua não alcance

Não há sequer uma gota de suor teu
Que eu não sugue

Não há qualquer gemido
Que não me faça te engolir em beijos

Não há um olhar sequer
Que não implore por mordidas

Não há em lugar algum
Maior desejo que o nosso

Não há pele, como a tua
Implorando por meu corpo

Não há ninguém, como você
Reconhecendo meu cheiro pela escada

Não há em livros
Histórias como a nossa

E não há no mundo inteiro
Tanta fome, como a minha por você.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Chuva

Aconteceu que ao olhar o céu
Praguejou contra Deus
E evitou cuspir, apenas
Por saber que ia voltar pra sua cara

Colocou um monte de pontos onde
Não deveriam existir.
Deixou que as crianaças quebrassem
Toda a sua louça

Nada mais importava
Nem queria que importasse
Parecia não desejar nada mais

Chorou um tanto de lágrimas
Colocou o lenço no bolso e saiu
Vaidosa, seu vestido rasgado
Seu rosto manchado com a maquiagem

Está aí a mulher forte que te amou

Aquietou o coração
Odiou todos os homens do mundo
Desejou ter amigos naquele momento
Xingou o céu mais uma vez

Tirou os sapatos
Encontrou um banco
Sentou-se
Escondeu o rosto entre as pernas
Chorou com vergonha

Secou as lágrimas e as emoções
Usou seu lenço
Retocou a maquiagem
Superior a todas essas fraquezas
Atravessou a rua

E seu corpo
Libertou sua alma, enfim.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

rainha

lá fora está a rainha
está sentada na namoradeira
encostada, esperando sua coroa


estamos acabando de jantar
e de vez em quando sobra um pouco de comida
a verdade é mesmo que estamos muito bem


e sorrimos muito
ao som de piano

a rainha está lá fora

domingo, 3 de janeiro de 2010

Sala de Estar

O mundo só pode estar louco mesmo! Eu acabo de olhar o céu e a Lua está dando algumas voltas. Ou eu estou girando, ou isso é efeito especial de Hollywood, ou eu só estou bêbado mesmo. Pra dizer a verdade, bêbado. Eu me dou conta disso porque tô vendo a garrafa de gin quase vazia. Mas que nojo, eu odiava gin até... Não me lembro até quando. Talvez até comprar essa porra dessa garrafa. Não tinha nada mais saboroso? Amanhã, sem pestanejar, pergunto pra aquele menino que trabalha na venda! Ele sabe que eu nunca bebo gin, por que desgraça me vendeu esta garrafa? Bom, mas isso não importa mais. Já estou bêbado mesmo. E completamente sujo também. Um fedor de cigarro filho da puta. Mas eu não fumo há cerca de dois anos e meio!! Desde que meu filho nasceu eu não coloco uma bituca de cigarro na boca. Ah, aquele menino da venda aproveitou meu estado ébrio e me vendeu cigarro também. Mas eu nem sinto gosto de cigarro na boca, como pode ser? Ah bom, é minha namorada que fuma na varanda. Essa vadia, já mandei não fumar em meu apartamento. Mas eu to bêbado e ela se aproveitou de minha fraqueza! Ela veio me reclamar, dizendo que eu tinha deixado, só dessa vez. Está chovendo. Minha varanda está um pouco molhada. E eu estou deitado no chão da sala. Daqui dá pra ver o céu. A minha mãe disse que homens bons vão pra lá. Disse que meu avô está lá. Eu acreditei e quis ser igual a ele. O céu que eu via nos livros era bonito. Tinha tigres e elefantes juntos de pessoas. Eu adorava os tigres, queria ir pro céu. Mas rapazes que bebem, fumam, transam antes de casar, tem filhos e não casam com a mãe destes, e ainda por cima pagam prostitutas não vão pro céu. Eu fui colocado pra fora da fila. Talvez um dia eu volte. Já parei de fumar e agora meu filho tem vindo me visitar aos fins de semana. E eu parei com as prostitutas depois que comecei com Fernanda. Estou mais perto do céu agora. A campanhia tocou. Quem seria uma hora dessas? Visitas no meio da noite. Se for quem eu estou pensando que seja... Não é. Ainda bem. Ia me colocar umas trinta posições atrás da fila do céu. Era só a comida chegando. Fernanda passou por cima de mim e foi atender à porta. Ela estava sem calcinha por debaixo da saia. Adorava vê-la sem calcinha por debaixo da saia. Era como saber que queria transar. Eu estava bêbado e com tesão. Que combinação louca! Fernanda comeu, me deu algumas fatias de pizza. Eu permanecia no chão da sala. Estatelado. Como se não tivesse os movimentos do corpo. O  céu. A lua giratória, não sei pra que, nem por que girava tanto, aquela bola sem graça. Fernanda sem calcinha por debaixo da saia. E a garrafa quase vazia de gin sobre a mesa de centro. Pontas de cigarro. Isqueiro. Me sentia num filme tosco, mal produzido, com um roteiro pobre e um diretor fuleiro. Eu era o ator principal. Grande merda. O mocinho vai morrer antes dos trinta. Eu fechei os olhos. O vômito foi inevitável, mas deu tempo de correr à privada. Trinta e dois minutos no banheiro. E uma sede desgraçada depois de vomitar. Queria água, bebi a do aquário. Tinha um gosto ruim pra caralho. Fernanda surgiu como uma ninfa. Uma jarra de água numa das mãos e na outra, um copo. Eu sabia que ela me amava. E eu a amava também, apesar do cigarro. Tomei toda a garrafa. E voltei ao chão da sala. Fernanda voltou à varanda, ao cigarro, ao gin. Adormeci por ali mesmo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Da Paixão

Eu quero tirar você pra mim
Despir você com carinho
Com tesão
Passear em teu corpo como
Se passeia num jardirm de Versailles


Andar com minha lingua,
Como a desbravar cada cantinho seu

Sentir seu cabelo no meu peito enquanto
Descansamos de um tempo lá fora


Ah, eu quero sentir
Meu coração doer
Quando você se for
E poder te ligar às três e dezenove
Da madruagada
E sussurar poemas eróticos
No telefone


Quero esperar
O dia seguinte como um prenúncio de vitória 


Eu quero você pra mim
Eu quero trocar a vida inteira
Por um tempo ao seu lado


E comer chocolate contigo
E dizer, no meio do jantar,
Quero casar com você.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pra Ry-r

Para o sol rir
Para o sol, Ry.
Daqueles bonequinhos numa folha de caderno
Da senhorita com vestido de florzinha
E da gargalhada tentando ser séria
Um brilho cheio de carinho
Tanto amor, tanta coisa boa
A melhor energia, os melhores ouvidos
E o cara mais chato do mundo

A senhorita de vestido de florzinha
Com uma enorme vontade de sair do papel
E o sol sorrindo
E as cantingas da infância
E a menina ao meu lado
Dançando como quando criança
"Desamassa aqui pra ficar boa!"

E a sua boneca de lata
E a boneca no caderno
Não precisam de cura
Elas são a cura
A cura pro mau humor matinal

Seu sor-ry-so irradia tanto
Que no meio do tempo passando
Dá uma energia pra pausa, café e poema
Aquece do frio
Afasta os perigos
Lembra os sonhos bons
E aumenta a saudade.

sábado, 12 de dezembro de 2009

De Gosto

Gosto do azul se ele está à mostra. Gosto do verde se ele estiver vivo, ou enrolado num cigarro. Gosto da pele nua, suada e quente. Gosto do gozo, do sorriso, da respiração marcada. Gosto do risco de unha nas costas, da marca no pescoço. Gosto do coração batendo mais forte. Gosto da dose de licor depois do sexo. Gosto de olhar a lua pela janela, acender um cigarro e ser surpreendido com um beijo na nuca. Gosto do cheiro de café que vem junto com o seu beijo. Gosto de sentir seu rosto no meu peito. Gosto de ouvir sua voz sussurrando. Gosto de sentir o vento que sacode as cortinas. Gosto muito de não dizer nada, de deixar que o momento fale por si. Gosto de ouvir a sua risada gostosa ao me contar histórias. Gosto de me encantar aos pouquinhos com o brilho de seu olhar. Gosto de poder me perder em você. Gosto de perder as horas ao seu lado. Gosto de nunca ver o tempo passar se você está comigo. Gosto de conversar sobre música durante o café e depois do café falar de novela. Gosto de voltar à cama e dizer que te quero de novo e sempre. E gosto de começar tudo de novo, sem medo de ser louco, sem medo de ser piegas. Gosto de faltar ao trabalho pra ficar com você. Gosto de dizer que não estou, se me procuram. Gosto de aproveitar cada segundo em seu corpo. Gosto de ver o céu ficar vermelho, ao longe. Gosto de ver os últimos raios de sol cobrirem seu corpo nu. Gosto de ver o volume de seus seios em direção a mim e de te guardar num abraço. Gosto de dizer que te amo baixinho, só pra você me escutar. Gosto do gemido seco e ofegante. Gosto de dormir abraçado, sentido o seu cheiro. Gosto de acordar no dia seguinte e olhar pra você, dormindo tão tranquilamente. E do beijo nos lábios antes de sair. Gosto de passar o dia esperando te ver. Gosto de ver o azul à mostra. E gosto dos pássaros no meio do caminho. Gosto de estar como um adolescente apaixonado. Gosto desse sentimento que invade meu coração. Gosto do medinho e do frio na barriga. Gosto de dizer sim. Gosto do amor quando ele, de repente, bate à minha porta. E gosto muito de saber que, no fim de tudo, não seremos apenas lembranças, mas seremos uma história só.

*Uma menina, amiga minha, gostou tanto desse texto, que eu dedico a ela. Sem citar nomes "para não causar constrangimentos".

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Memórias De Uma Noite Sem Embriaguez

É amor, meu irmão!
Não há o que questionar


Olhou o papel com algumas palavras
Leu
Sorriu
Chorou
Seu coração bateu tão forte
Parecia nunca ter vivido aquilo
Deitou
Sonhou com o que estava por vir.