domingo, 3 de janeiro de 2010

Sala de Estar

O mundo só pode estar louco mesmo! Eu acabo de olhar o céu e a Lua está dando algumas voltas. Ou eu estou girando, ou isso é efeito especial de Hollywood, ou eu só estou bêbado mesmo. Pra dizer a verdade, bêbado. Eu me dou conta disso porque tô vendo a garrafa de gin quase vazia. Mas que nojo, eu odiava gin até... Não me lembro até quando. Talvez até comprar essa porra dessa garrafa. Não tinha nada mais saboroso? Amanhã, sem pestanejar, pergunto pra aquele menino que trabalha na venda! Ele sabe que eu nunca bebo gin, por que desgraça me vendeu esta garrafa? Bom, mas isso não importa mais. Já estou bêbado mesmo. E completamente sujo também. Um fedor de cigarro filho da puta. Mas eu não fumo há cerca de dois anos e meio!! Desde que meu filho nasceu eu não coloco uma bituca de cigarro na boca. Ah, aquele menino da venda aproveitou meu estado ébrio e me vendeu cigarro também. Mas eu nem sinto gosto de cigarro na boca, como pode ser? Ah bom, é minha namorada que fuma na varanda. Essa vadia, já mandei não fumar em meu apartamento. Mas eu to bêbado e ela se aproveitou de minha fraqueza! Ela veio me reclamar, dizendo que eu tinha deixado, só dessa vez. Está chovendo. Minha varanda está um pouco molhada. E eu estou deitado no chão da sala. Daqui dá pra ver o céu. A minha mãe disse que homens bons vão pra lá. Disse que meu avô está lá. Eu acreditei e quis ser igual a ele. O céu que eu via nos livros era bonito. Tinha tigres e elefantes juntos de pessoas. Eu adorava os tigres, queria ir pro céu. Mas rapazes que bebem, fumam, transam antes de casar, tem filhos e não casam com a mãe destes, e ainda por cima pagam prostitutas não vão pro céu. Eu fui colocado pra fora da fila. Talvez um dia eu volte. Já parei de fumar e agora meu filho tem vindo me visitar aos fins de semana. E eu parei com as prostitutas depois que comecei com Fernanda. Estou mais perto do céu agora. A campanhia tocou. Quem seria uma hora dessas? Visitas no meio da noite. Se for quem eu estou pensando que seja... Não é. Ainda bem. Ia me colocar umas trinta posições atrás da fila do céu. Era só a comida chegando. Fernanda passou por cima de mim e foi atender à porta. Ela estava sem calcinha por debaixo da saia. Adorava vê-la sem calcinha por debaixo da saia. Era como saber que queria transar. Eu estava bêbado e com tesão. Que combinação louca! Fernanda comeu, me deu algumas fatias de pizza. Eu permanecia no chão da sala. Estatelado. Como se não tivesse os movimentos do corpo. O  céu. A lua giratória, não sei pra que, nem por que girava tanto, aquela bola sem graça. Fernanda sem calcinha por debaixo da saia. E a garrafa quase vazia de gin sobre a mesa de centro. Pontas de cigarro. Isqueiro. Me sentia num filme tosco, mal produzido, com um roteiro pobre e um diretor fuleiro. Eu era o ator principal. Grande merda. O mocinho vai morrer antes dos trinta. Eu fechei os olhos. O vômito foi inevitável, mas deu tempo de correr à privada. Trinta e dois minutos no banheiro. E uma sede desgraçada depois de vomitar. Queria água, bebi a do aquário. Tinha um gosto ruim pra caralho. Fernanda surgiu como uma ninfa. Uma jarra de água numa das mãos e na outra, um copo. Eu sabia que ela me amava. E eu a amava também, apesar do cigarro. Tomei toda a garrafa. E voltei ao chão da sala. Fernanda voltou à varanda, ao cigarro, ao gin. Adormeci por ali mesmo.

4 comentários:

P. Veras disse...

Me lembrei de um porre que tomei outro dia, fiquei assim também colocando a culpa no dono do bar hahha !! Parabéns cara ta muito legal !! Achei divertido e tive a sensação que o personagem estava se divertindo com a situação também estava satisfeito, não consegui interpretar de uma forma depressiva

Larissa disse...

bem a sua cara esse texto. eu gosto! saudades suas :*

Larissa disse...

e eeeca, ele bebeu a água do aquário, que nojo ¬¬' heuahuehauea

Iane Pimentel disse...

Dan, muito bom...sua cara!!! Me divertir muito...nem depre nem engraçado..sua cara msm!!!kkkk...bjsss