terça-feira, 21 de novembro de 2006

Liberto

Eu ando por aí
Divertindo gente, abrindo sorrisos
Em bocas desconhecidas
Sendo conhecido de meu cachorro
Mas mesmo desconhecido para meus vizinhos

Apesar de certos quereres destruidores, minha lágrima nem cai.
Me comporto como um elétron cheio de energia
Louco de vontade de pular para a próxima camada
Ou me ligar com alguma átoma que dê sopa...

Mesmo assim, passeio entre máscaras
Querendo, mas sem querer...
Sorrindo e assim sorrindo
Não corro, não é do meu feitio

Surpreso com os olhos surpresos
Olho para os lados...
E são bocas e são pés e são olhos a espreitar-me
E são pernas e pés e pernas a andarem...

Na conjuntura de todo o momento
O sono vem me arrebatar
Minhas visões se condensando
E caio em sono, caindo, caindo...

Caio só pra despertar amanhã
E começar tudo de novo
Pra viver tudo de novo
E fazer as pessoas sorrirem de novo...

domingo, 8 de outubro de 2006

Sonho Médio


Ao som das citaras,
Dança o balé,
Sob o luar condensado
De uma noite fria.
E as ameixas, tão vermelhas...
Sinalizam-me para o encontro...

Oh alta torre da justiça
Tão grande quanto impositora
Quantos andares de sacrifício
Pedras e pedras e pedras
Porta de madeira
Séculos de muralhas
Que cobrem as nuvens e deixa esconder o sol
Permita-me subir em seus degraus
Oh, cor viva da alma!
Oh, doce voz da beleza!
Faz-me enxergar a luz do meu sentimento
Faz-me repousar em teus aposentos
Com lençóis de cetim e estofado escocês
Como no passado me fizeste crer...
Mas faz brotar em mim um ímpeto de saudade
Para que eu possa retornar a minha casa
Levemente suspirado
Levemente acordado
Levemente conduzido

Que sua janela enxergue o balé
Que suas cortinas balancem ao vento
Que sua historia mantenha-se viva
Grande construção da grande era
Palácio de reis e rainhas
Onde mora meu pensamento
Onde vivem meus sonhos
Abriga-os sem ressentimentos
Permite-os andar por seus jardins
Visitar seus quartos...

Aos poucos vai se afastando
De minha mente tal visão
Mas ainda ressoam em meus ouvidos
Os sinos e as cítaras
Ressoam ainda os passos belos
Das jovens damas...
Como nuvens, ainda aparecem
Seus vestidos e cabelos...
E vou aos poucos acordando
E abro meus olhos, vendo que...
Vivo num sonho médio
Com a alegria camponesa...
E meus lábios sorriem de êxtase
E meu ser flutua
E meu ser sobrevive...

sábado, 7 de outubro de 2006

Olhos de máscara...

E minha dificuldade de amar
Refletia minha vontade de amar
E meu reflexo no espelho
Era todo lagrimas

Por que ser o que não se é?
Por que dizer o que não se diz?
Por que fingir o que não se finge?

Como fazer do impossível, possível?
Como fazer do meu não o meu sim?
Como desejar a sua felicidade, se,
Para mim, você é indiferente?

Eu to me cansando de fingir
Eu to cansado de fingir
Não quero mais fingir
Vou fugir